28/02/2013 - O Estado de S. Paulo
Dirigentes do PMDB já admitem que o partido
deverá receber mesmo o comando do Ministério dos Transportes dentro da reforma
do primeiro escalão que a presidente Dilma Rousseff deverá fazer possivelmente
nas próximas duas semanas. Mas a cúpula do partido, porém, só está disposta a
aceitar o posto se o ministério voltar a ser fortalecido dentro da estrutura de
poder do governo, participando diretamente de ações importantes. Nesse caso, o
PMDB deverá indicar o deputado federal mineiro Leonardo Quintão para o cargo.
Os pemedebistas nunca esconderam seu
interesse pela área dos Transportes, considerada de grande capilaridade
regional, com orçamento expressivo e relevante para atuação política. O
problema é que desde a queda do antigo ministro, o senador Alfredo Nascimento
(PR-AM), em 2011, desgastado pelos escândalos envolvendo o ministério, a pasta
foi perdendo força dentro do governo. Por orientação de Dilma, atribuições que
caberiam normalmente aos Transportes acabaram sendo transferidas a outras
instâncias do governo.
O comando do Dnit, responsável por tocar
cobiçadas obras rodoviárias, por exemplo, foi blindado depois da faxina
promovida por Dilma dentro do ministério. Para comandar o órgão, repleto de
denúncias de irregularidades, foi nomeado um militar, o general Jorge Fraxe,
numa tentativa de despolitizar as atividades do departamento e ampliar os
mecanismos de controle do uso dos seus recursos.
O próprio perfil do comando do ministério
foi alterado. Em vez de um político, a pasta foi entregue ao então secretário
executivo, Paulo Sérgio Passos. Embora filiado ao PR, Passos sempre teve perfil
técnico. Tanto que sua nomeação foi considerada pela cúpula do PR como sendo da
cota pessoal da presidente, não representando o partido.
Peemedebistas admitem que receber o
ministério esvaziado não é interessante. Lembram que o atual ministro sequer é
convidado para participar do road show do governo no exterior para atrair
possíveis investidores estrangeiros interessados nas concessões disponíveis.
Até o momento, a sinalização do Planalto é
que a pasta poderá ser turbinada como deseja o PMDB. O problema é que Dilma
pretende manter algum tipo de controle para evitar que os Transportes voltem a
ser foco de irregularidades, como ocorreu no primeiro ano de mandato.
Chalita.
Se essa equação for resolvida, o PMDB
desistirá de cobrar a fatura pelo apoio dado ao PT na campanha municipal pela
prefeitura de São Paulo, quando ajudou o petista Fernando Haddad a se eleger. O
acordo original previa a nomeação para o Ministério de Ciência e Tecnologia do
deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), cujo apoio no segundo turno contribuiu para
a vitória de Haddad.
As denúncias envolvendo Chalita com suposto
recebimento de propina quando era secretário estadual de Educação sepultaram
suas chances de assumir algum cargo no primeiro escalão.
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